Seleção natural pode favorecer homossexualidade masculina, diz estudo

Junho 19, 2008 by joaoejoao

Estudo feito na Itália avaliou genes que homens gays recebem de suas mães.
DNA ligado à característica tornaria mulheres da família mais férteis que a média.
Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo entre em contato

A idéia de que a homossexualidade é uma característica prejudicial à sobrevivência e multiplicação dos seres vivos acaba de levar uma rasteira considerável, graças ao trabalho de um trio de pesquisadores italianos. Eles fizeram uma simulação matemática das várias possibilidades da origem dos homossexuais masculinos e concluíram que, na verdade, os genes ligados a esse comportamento poderiam favorecer a fertilidade — das mulheres aparentadas aos gays pelo lado materno. Isso explicaria porque a característica nunca desaparece da população.

O trabalho, coordenado por Andrea Camperio Ciani, da Universidade de Pádua (norte da Itália), está na revista científica de acesso livre “PLoS One” e pode ser lido de graça na internet. Embora Ciani e seus colegas Paolo Cermelli e Giovanni Zanzotto tenham chegado ao resultado usando equações, eles embasaram suas contas em dados populacionais sobre o homossexualismo humano e em alguns conceitos-chave da teoria da evolução.

O mais importante, claro é o da seleção natural, considerado o principal mecanismo por trás da evolução dos seres vivos. O lema da seleção natural é simples: quem se reproduz mais, ganha a disputa, legando seus traços às gerações seguintes. O problema é que, desse ponto de vista, a homossexualidade é um paradoxo: afinal, uma pessoa que só tiver relações sexuais com membros do mesmo sexo estará, por definição destinada a não se reproduzir — excetuando, é claro, os modernos meios de fertilização in vitro.

No entanto, em todas as culturas e todas as épocas, e também entre outros mamíferos, vê-se que existe um nível relativamente constante, mas baixo, de atividade homossexual (pouco menos de 10% em populações humanas modernas). Ora, se ser gay fosse tão terrível para a seleção natural, esperar-se-ia o desaparecimento completo dos homossexuais, mas não é o que acontece.

Pegando carona

Os pesquisadores italianos, em seu estudo, assumem que há pelo menos um componente genético razoável por trás da origem da homossexualidade. A idéia não é estapafúrdia, uma vez que irmãos gêmeos de gays (que têm exatamente os mesmos genes que eles) têm probabilidade muito maior de também se interessarem por pessoas do mesmo sexo do que pessoas não-aparentadas na população geral.

Mais importante, porém, são dois dados levantados por pesquisas anteriores: as mães de homens gays parecem ser mais férteis que a média das mulheres, assim como suas tias maternas — mas não suas tias paternas. Isso levantou a possibilidade de que um ou mais genes (mais provavelmente vários genes) associados ao surgimento de homossexuais serem legados pelas mães aos filhos gays. Em corpos de mulheres, esses genes ajudariam na fecundidade, o que explicaria perfeitamente porque eles não desaparecem da população: mulheres muito férteis da família compensariam os gays que acabam não tendo filhos.

Andrea Ciani e companhia puseram-se a testar essa idéia, comparando-a matematicamente com possibilidades alternativas para a origem da homossexualidade. Eles tiveram o cuidado de testar as várias equações com os dados já conhecidos do mundo real. Para valer, o modelo matemático teria de ser capaz de produzir mães e tias de homossexuais mais férteis que a média e também de produzir populações em que os homens gays seriam sempre uma minoria que nunca desaparece.

Sexos em conflito

O resultado das simulações foi demonstrar que o modelo mais provável era o dos genes ligados à homossexualidade “pegando carona” nos corpos masculinos, mas agindo especificamente nos corpos femininos. O detalhe das simulações permitiu até estimar, segundo os italianos, que a característica quase certamente está ligada a mais de um gene, e provavelmente um desses genes estaria alojado no cromossomo X – justamente o novelo de DNA ligado à determinação do sexo que os homens herdam de suas mães. (Homens normais têm um cromossomo X e um Y; mulheres têm duas cópias do X).

Se a equipe italiana estiver correta, a homossexualidade masculina entre humanos seria um exemplo da chamada seleção sexualmente antagonista — ou seja, uma característica genética que favorece a reprodução de um sexo em detrimento da multiplicação de outro. De qualquer maneira, nesse cenário, o fato de um homem gay não se reproduzir não quer dizer que a população em geral se multiplique menos: o efeito pode até ser o contrário.

Estudo vê semelhança entre cérebro de gays e do sexo oposto

Junho 18, 2008 by joaoejoao

Um estudo conduzido por pesquisadores suecos mostrou que o cérebro de homens gays é fisicamente parecido com o das mulheres heterossexuais, enquanto o de lésbicas se assemelha ao de homens heterossexuais.

Por meio de exames de ressonância magnética, os cientistas, da Universidade Karolinska, compararam as dimensões dos dois hemisférios do cérebro em 90 pessoas, entre homo e heterossexuais.

Ao analisar os resultados, os especialistas observaram que homens homossexuais e mulheres heterossexuais têm os hemisférios cerebrais simétricos, enquanto os dois lados do cérebro de lésbicas e homens heterossexuais são assimétricos, com o hemisfério direito consideravelmente maior do que o esquerdo.

Os pesquisadores ainda investigaram possíveis diferenças na amígdala, uma parte do cérebro ligada às emoções.

Eles verificaram mais “conexões nervosas” no lado direito da amígdala de homens heterossexuais e lésbicas, enquanto mulheres e homens gays têm mais impulsos elétricos no lado esquerdo.

O estudo, divulgado na publicação científica Proceedings of The National Academy of Sciences, sugere que fatores biológicos que influenciam na orientação sexual, como a exposição à testosterona no útero, também podem moldar a anatomia cerebral.

Útero

O trabalho, coordenado pelo pesquisador Ivanka Savic, teve como base uma pesquisa anterior que detectou diferenças nas habilidades espaciais e verbais relacionadas ao sexo e à orientação sexual.

A experiência mostrou que homens gays e mulheres heterossexuais tiveram bom desempenho em testes de linguagem, ao passo que homens heterossexuais e lésbicas se saíram bem em exames que avaliaram noções de espaço e direção.

Na avaliação do pesquisador Qazi Raham, da Universidade de Queen Mary, em Londres, e autor de estudos na área, não há mais dúvidas de que as diferenças cerebrais sejam delineadas nos primeiros estágios do desenvolvimento fetal.

“Não há mais argumentos, se você é gay é porque você nasceu gay”, disse o pesquisador

Sargento diz que Exército torturou companheiro

Junho 12, 2008 by joaoejoao

LUIS KAWAGUTI
DA REPORTAGEM LOCAL

O sargento Fernando de Alcântara Figueiredo acusou militares do Exército de terem torturado seu companheiro, o também sargento Laci Marinho de Araújo.
Segundo ele, Araújo foi asfixiado e espancado dois dias após ser preso no último dia 4. A denúncia foi feita a ativistas de direitos humanos.

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Ele foi detido sob acusação de deserção -por ter ficado entre os dias 7 e 14 de abril sem se apresentar ao seu comando.
Segundo Figueiredo, as agressões aconteceram na manhã do dia 6 em um carro do Exército -Araújo estava sendo levado para uma prisão.
O sargento, de acordo com seu companheiro, teria sido sufocado com um saco plástico, teria levado pancadas nas palmas das mãos e socos no estômago com a utilização de tecidos -para que não ficassem marcas-, além de ter sofrido ameaças verbais. Araújo teria feito a denúncia a Figueiredo durante uma visita.

Outro lado
O Exército afirmou por meio de nota que as denúncias de agressões não têm fundamento. “O Exército não compactua com esse tipo de procedimento, primando pela preservação da integridade física daqueles que estão à disposição da Justiça Militar e sob sua guarda”, afirma a nota da instituição.

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A política da Aids

Junho 12, 2008 by joaoejoao

PELA PRIMEIRA vez a Organização Mundial da Saúde (OMS) admite que o risco de uma epidemia global de Aids entre heterossexuais é bastante reduzido e que as estratégias de prevenção promovidas pelas principais organizações de combate à moléstia podem ter sido mal focadas.
Os indícios de que os números da Aids estavam superestimados não são novos. No final do ano passado, a própria Unaids (a agência da ONU para lidar com a moléstia) corrigiu sua contabilidade e baixou a estimativa de infectados de 39,5 milhões (2006) para 33,2 milhões (2007).

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Um exemplo de enfoque equivocado seria o das campanhas educacionais voltadas para a população geral. Exceto pela África subsaariana, o risco de contrair Aids numa relação heterossexual é baixo. A transmissão só ocorre em uma de cada 500 a 1.000 cópulas com parceiro infectado. Teria feito mais sentido investir fatias maiores do orçamento em peças publicitárias dirigidas a grupos de risco, como homossexuais masculinos, usuários de drogas injetáveis e prostitutas e seus clientes.
Ocorre que, após as primeiras caracterizações da Aids como “peste gay” no início dos anos 80, médicos e ativistas julgaram oportuno ilidir o preconceito. Para tanto, trataram de desconstruir a noção de grupo de risco. Nunca é boa prática deixar que dados científicos sejam contaminados por decisões políticas, por mais corretas que sejam.
É fato que a Aids, por afetar um público influente, sempre recebeu atenção desproporcional em relação a outras doenças. Mas é igualmente inegável que, também por força de lobbies e de seus exageros, o mundo respondeu de forma no geral adequada à irrupção da Aids, que, mesmo despida de excessos retóricos, permanece um grave problema de saúde pública.

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Em SP, doença afeta mais os heterossexuais RICARDO WESTIN

Junho 12, 2008 by joaoejoao

DA REPORTAGEM LOCAL

Um boletim inédito sobre a Aids na maior cidade do Brasil contradiz a tese do chefe do departamento de HIV/Aids da OMS (Organização Mundial da Saúde), Kevin de Cock, para quem não há risco de uma epidemia entre heterossexuais.
Segundo o boletim, obtido pela Folha, dos homens que tiveram diagnóstico de Aids em São Paulo em 2007, a maioria (36,6%) se infectou justamente em relações heterossexuais.
Em seguida, as formas mais freqüentes de infecção foram as relações homossexuais (24,8%), as bissexuais (9,8%) e o uso de droga injetável (7,4%).

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Nas primeiras duas décadas da epidemia (anos 80 e 90), os homens de São Paulo se contaminavam mais por relações homossexuais (25,7%) e pelo uso de droga (24,3%). As relações heterossexuais vinham em terceiro lugar (17,6%).
Para Abbate, uma razão para o crescimento entre heterossexuais foi a idéia de que a doença era exclusiva de gays. “As primeiras campanhas eram voltadas para os gays, e eles, de fato, abraçaram a camisinha. Os heterossexuais acreditaram que a Aids não chegaria a eles. Acabaram ficando expostos.”
A psicóloga diz que a declaração do diretor da OMS é “perigosa”, por induzir os heterossexuais a pensar como antes. “Se você põe um vetor moral ou religioso na epidemia, você presta um desserviço”, afirma.

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Curva decrescente
O boletim informa que a Aids mantém a tendência de queda. Em 2007, houve 1.693 casos novos na cidade. No ano anterior, haviam sido 2.574. A diminuição entre um ano e outro (34%) foi a maior até agora.
Os dados incluem só doentes de Aids. Muitas pessoas têm o vírus HIV, mas não a doença -ou seja, não tiveram o sistema imunológico afetado. A notificação dos infectados com o HIV ao governo não é compulsória, só a de doentes de Aids.
A porcentagem de mortes é a menor até hoje. Em 2007, 13,7% dos doentes morreram. Uma década antes, 47%.
Entre as razões estão as campanhas de prevenção, a distribuição de seringas descartáveis e preservativos, a oferta de exames e o programa de remédios.
“A epidemia está em declínio, mas não podemos dizer que os números são excelentes. Ainda há muito por fazer”, diz Maria Cristina Abbate.

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RELATÓRIO: CASOS DE AIDS CAEM, MAS DOENTE É TRATADO COM ATRASO

Junho 12, 2008 by joaoejoao

O Brasil tem uma tendência de queda na incidência de Aids, mas ainda trata tardiamente os pacientes, diz um relatório do governo federal. Foram 32.628 casos da doença, em 2006, contra 38.816, em 2002. Entre 2003 e 2006, o tratamento para Aids começou tarde para 50.393 brasileiros. O número representa 43,7% das 115.441 pessoas que iniciaram terapias. Dos que contraíram Aids e iniciaram tratamento tardio, 28,7% morreram no início da terapia.

OMS agora descarta epidemia de Aids entre heterossexuais

Junho 12, 2008 by joaoejoao

OMS agora descarta epidemia de Aids entre heterossexuais

Para o chefe do departamento de HIV/Aids da organização, estratégias de prevenção da doença podem ter sido mal focadas

Para entidades, declarações não levam em conta as diferenças regionais e podem desestimular as ações de prevenção

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Pela primeira vez, a OMS (Organização Mundial da Saúde) admitiu que o risco de uma epidemia global de Aids entre os heterossexuais não existe mais e que as estratégias de prevenção promovidas pelas principais organizações de combate à doença podem ter sido mal focadas.
As declarações foram feitas pelo epidemiologista Kevin de Cock, chefe do departamento de HIV/Aids da OMS, ao jornal britânico “Independent” anteontem. No mesmo dia, seu antecessor, James Chin, afirmou que a OMS tem “sistematicamente exagerado” as projeções da epidemia entre os heterossexuais e desperdiçado recursos em educação voltada para o público jovem, sem grandes riscos de infecção.

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Segundo Kevin de Cock, a percepção da ameaça representada pelo vírus HIV mudou. Enquanto antes era considerado um risco para populações de todo o mundo, reconhece-se hoje que, fora da África sub-saariana, o vírus ficou confinado a grupos de alto risco -homossexuais masculinos, usuários de drogas injetáveis, prostitutas e seus clientes.
“É improvável que ocorra uma epidemia entre heterossexuais em outros países. Há dez anos, muita gente dizia que haveria uma epidemia generalizada na Ásia -a China era o grande receio. Isso não parece provável. Mas precisamos ser cuidadosos. Pode haver pequenos surtos em algumas áreas.”

Problema gravíssimo
Na avaliação do ativista do grupo Pela Vidda de São Paulo, Mário Scheffer, mesmo onde a epidemia está estabilizada -como no Brasil- a Aids continua sendo “um problema gravíssimo de saúde pública”. Há 1,6 milhão de pessoas infectadas na América Latina, das quais 660 mil estão no Brasil.
A transmissão homossexual foi superada pela heterossexual no país. Em 2006, 27,9% dos casos de Aids entre homens se deram por transmissão homossexual, contra 42,6% de transmissão heterossexual.
Scheffer admite que em “alguns locais e em algumas situações”, os números da Aids entre os heterossexuais podem ter sido superdimensionados, mas não é o caso do Brasil. “Aqui a doença avançou muito, especialmente entre as mulheres.”

[...]

Desde 1996, a Aids cresceu entre as mulheres brasileiras e ficou estável entre homens, segundo o Ministério da Saúde. Entre as adolescentes de 13 a 19 anos, há 1,6 caso entre as mulheres para cada um entre os homens. Entre as mulheres, 95,7% contraíram o vírus após relação heterossexual.
O ativista Angelo Almeida Lopes, da associação Aliança pela Vida, exemplifica: “Na nossa ONG atendemos 29 mulheres heterossexuais soropositivas, e a fila de espera para mais atendimento é enorme. Vemos um crescente aumento de mulheres contaminadas”.
Para Scheffer, os investimentos globais para conter a Aids continuam sendo insuficientes. “A Aids tem peculiaridades de cada país, de cada região. Declarações desse tipo podem levar à redução dos insuficientes recursos e das ações de prevenção e de assistência.”
A diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, estava ontem em Nova York, participando de uma reunião internacional sobre Aids, e não foi encontrada para comentar as declarações de Cock e de Chin.


Com o “Independent”

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Não precisa casar. Sozinho é melhor

Junho 12, 2008 by joaoejoao

Entrevista: Flávio Gikovate

O psiquiatra decreta a morte do amor romântico e diz que
a vida de solteiro é um caminho viável para a felicidade


Duda Teixeira

“Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre o amor ea individualidade, opte pelo segundo.”

Com 41 anos de clínica, o médico psiquiatra Flávio Gikovate acompanhou os fatos mais marcantes que mudaram a sexualidade no Brasil e no mundo. Por meio de mais de 8.000 pessoas atendidas, assistiu ao impacto da chegada da pílula anticoncepcional na década de 60 e a constituição das famílias contemporâneas, que agregam pessoas vindas de casamentos do passado. Suas reflexões sobre o amor ao longo de esse tempo foram condensadas no seu 26º livro, Uma História de Amor… com Final Feliz. Na obra, a oitava sobre o tema, Gikovate ataca o amor romântico e defende o individualismo, entendido não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o conhecimento de si próprio. Tendo sido um dos primeiros a publicar um estudo no país sobre sexualidade, atuou em diversos meios de comunicação, como jornais e revistas e na televisão. Atualmente, possui um programa na rádio, em que responde perguntas feitas por ouvintes. Aos 65 anos, ele atendeu a reportagem de Veja em seu consultório no elegante bairro dos Jardins, em São Paulo.

“Os solteiros que estão mal são os que ainda sonham com o amor romântico. Pensam que precisam de outra pessoa para se completar. Como Vinicius de Moraes, acham que que ‘é impossível ser feliz sozinho’. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos.”


Veja –
O senhor diria para a maioria das pessoas que o casamento pode não ser uma boa decisão na vida?
Gikovate – Sim. As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação.

Veja – Ficar sozinho é melhor, então?
Gikovate – Há muitos solteiros felizes. Levam uma vida serena e sem conflitos. Quando sentem uma sensação de desamparo, aquele “vazio no estômago” por estarem sozinhos, resolvem a questão sem ajuda. Mantêm-se ocupados, cultivam bons amigos, lêem um bom livro, vão ao cinema. Com um pouco de paciência e treino, driblam a solidão e se dedicam às tarefas que mais gostam. Os solteiros que não estão bem são geralmente os que ainda sonham com um amor romântico. Ainda possuem a idéia de que uma pessoa precisa de outra para se completar. Pensam, como Vinicius de Moraes, que “é impossível ser feliz sozinho”. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos.

Veja – Por que os casamentos acabam não dando certo?
Gikovate – Quase todos os casamentos hoje são assim: um é mais extrovertido, estourado, de gênio forte. É vaidoso e precisa sempre de elogios. O outro é mais discreto, mais manso, mais tolerante. Faz tudo para agradar o primeiro. Todo mundo conhece pelo menos meia-dúzia de casais assim, entre um egoísta e um generoso. O primeiro reclama muito e, assim, recebe muito mais do que dá. O segundo tem baixa auto-estima e está sempre disposto a servir o outro. Muitos homens egoístas fazem questão que a mulher generosa esteja do lado dele enquanto ele assiste na televisão os seus programas preferidos. Mulheres egoístas não aceitam que seus esposos joguem futebol. Consideram isso uma traição. De um jeito ou de outro, o generoso sempre precisa fazer concessões para agradar o egoísta, ou não brigar com ele. Em nome do amor, deixam sua individualidade em segundo plano. E a felicidade vai junto. O casamento, então, começa a desmoronar. Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo.

Veja – Viver sozinho não seria uma postura muito individualista?
Gikovate – Não há nada de errado em ser individualista. Muitos dos autores contemporâneos têm uma postura crítica em relação a isso. Confundem individualismo com egoísmo ou descaso pelos outros. São conceitos diferentes. Outros dizem que o individualismo é liberal e até mesmo de direita. Eu não penso assim. O individualismo corresponde a um crescimento emocional. Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. Por tabela, também poderá construir uma sociedade mais justa. Conhecem melhor a si próprio e, por isso, sabem das necessidades e desejos dos outros. O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo.

“As colunas e programas de rádio que eu faço não me trazem clientes. Às vezes, só atrapalham. Em 1982, aceitei trabalhar com o Corinthians. Era a democracia corinthiana. Foi um balde de água fria na clínica.”


Veja –
Por que os casamentos normalmente ocorrem entre egoístas e generosos?
Gikovate – A idéia geral na nossa sociedade é a de que os opostos se atraem. E isso acontece por vários motivos. Na juventude, não gostamos muito do nosso modo de ser e admiramos quem é diferente de nós. Assim, egoístas e generosos acabam se envolvendo. O egoísta, por ser exibicionista, também atrai o generoso, que vê no outro qualidades que ele não possui. Por fim, nossos pais e avós são geralmente uniões desse tipo, e nós acabamos repetindo o erro deles.

Veja - Para quem tem filhos não é melhor estar em um casamento? E, para os filhos, não é melhor ter pais casados?
Gikovate – Para quem pretende construir projetos em comum – e ter filhos é o mais relevantes deles – o melhor é jogar em dupla. Crianças dão muito trabalho e preocupação. É muito mais fácil, então, quando essa tarefa é compartilhada. Do ponto de vista da criança, o mais provável é que elas se sintam mais amparadas quando crescem segundo os padrões culturais que dominam no seu meio-ambiente. Se elas são criadas pelo padrasto, vivem com os filhos de outros casamentos da mãe, mas estudam em uma escola de valores fortemente conservadores e religiosos, poderão sentir algum mal-estar. Do ponto de vista emocional, não creio que se possa fazer um julgamento definitivo sobre as vantagens da família tradicional sobre as constituídas por casais gays ou por um pai ou mãe solteiros. Estamos em um processo de transição no qual ainda não estão constituídos novos valores morais. É sempre bom esperar um pouco para não fazer avaliações precipitadas.

Veja – Que conselhos você daria para um jovem que acaba de começar na vida amorosa?
Gikovate – É preciso que o jovem entenda que o amor romântico, apesar de aparecer o tempo todo nos filmes, romances e novelas, está com os dias contados. Esse amor, que nasceu no século XIX com a revolução industrial, tem um caráter muito possessivo. Segundo esse ideal, duas pessoas que se amam devem estar juntas em todos os seus momentos livres, o que é uma afronta à individualidade. O mundo mudou muito desde então. É só olhar como vivem as viúvas. Estão todas felizes da vida. Contudo, como muitos jovens ainda sonham com esse amor romântico, casam-se, separam-se e casam-se de novo, várias vezes, até aprender essa lição. Se é que aprendem. Se um jovem já tem a noção de não precisa se casar par ser feliz, ele pulará todas essas etapas que provocam sofrimento.

Veja – As mulheres são mais ansiosas em casar do que os homens? Por quê?
Gikovate – As mulheres têm obsessão por casamento. É uma visão totalmente antiquada, que os homens não possuem. Uma vez, quando eu ainda escrevia para a revista Cláudia, o pessoal da redação fez uma pesquisa sobre os desejos das pessoas. O maior sonho de 100% das moças de 18 a 20 anos de idade era se casar e ter filho. Entre os homens, quase nenhum respondeu isso. Queriam ser bons profissionais, fazer grandes viagens. Essa diferença abismal acontece por razões derivadas da tradição cultural. No passado, o casamento era do máximo interesse das mulheres porque só assim poderiam ter uma vida sexual socialmente aceitável. Poderiam ter filhos e um homem que as protegeria e pagaria as contas. Os homens, por sua vez, entendiam apenas que algum dia eles seriam obrigados a fazer isso. Nos dias que correm, as razões que levavam mulheres a ter necessidade de casar não se sustentam. Nas universidades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em poucas décadas, elas ganharão mais que eles. Resta acompanhar o que irá acontecer com as mulheres, agora livres sexualmente, nem sempre tão interessadas em ter filhos e independentes economicamente.

Veja – Como será o amor do futuro?
Gikovate – Os relacionamentos que não respeitam a individualidade estão condenados a desaparecer. Isso de certa forma já ocorre naturalmente. No Brasil, o número de divórcios já é maior que o de casamentos no ano. Atualmente, muitos homens e mulheres já consideram que ficarão sozinhos para sempre ou já aceitam a idéia de aguardar até o momento em que encontrarão alguém parecido tanto no caráter quanto nos interesses pessoais. Se isso ocorrer, terão prazer em estar juntos em um número grande de situações. Nesse novo cenário, em que há afinidade e respeito pelas diferenças, a individualidade é preservada. Eu estou no meu segundo casamento. Minha mulher gosta de ópera. Quando ela quer ir, vai sozinha. E não há qualquer problema nisso.

Veja - Quando duas pessoas decidem morar juntas, a individualidade não sofre um abalo?
Gikovate – Não necessariamente elas precisarão morar juntas. Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes.

Veja – É possível ser fiel morando em casas ou cidades diferentes?
Gikovate – A fidelidade ocorre espontaneamente quando se estabelece um vínculo de qualidade. Em um clima assim, o elemento erótico perde um pouco seu impacto. Por incrível que pareça, essas relações são monogâmicas. É algo difícil de explicar, mas que acontece.

Veja – Com o fim do amor romântico, como fica o sexo?
Gikovate – Um dos grandes problemas ligados à questão sentimental é justamente o de que o desejo sexual nem sempre acompanha a intimidade efetiva, aquela baseada em afinidade e companheirismo. É incrível como de vez em quando amor e sexo combinam, mas isso não ocorre com facilidade. Por outro lado, o sexo com um parceiro desconhecido, ou quase isso, é quase sempre muito pouco interessante. Quando acaba, as pessoas sentem um grande vazio. Não é algo que eu recomendaria. Hoje, as normas de comportamento são ditadas pela indústria pornográfica e se parece com um exercício físico. O sexo então tem mais compromisso com agressividade do que com amor e amizade. Jovens que têm amigos muito chegados e queridos dizem que transar com eles não tem nada a ver. Acham mais fácil transar com inimigos do que com o melhor amigo. Penso que, com o amadurecimento emocional, as pessoas tenderão a se abster desse tipo de prática.

“As razões que levavam as mulheres a ter necessidade de casar não se sustentam mais. Nas universidades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em poucas décadas elas ganharão mais
que eles.”


Veja –
As desilusões com o primeiro casamento têm ajudado as pessoas a tomar as decisões corretas?
Gikovate – No início da epidemia de divórcios brasileira, na década de 70, as pessoas se separavam e atribuíam o desastre da união a problemas genéricos. Alguns diziam que o amor acabou. Outros, o parceiro era muito chato. Não se davam conta de que as questões eram mais complexas. Então, acabavam se unindo à outras pessoas muito parecidas com as que tinham acabado de descartar. Hoje, os indivíduos estão mais críticos. Aceitam ficar mais tempo sozinhos e fazem autocríticas mais consistentes. Por causa disso, conseguem evoluir emocionalmente e percebem que terão que mudar radicalmente os critérios de escolha do parceiro. Se antes queriam alguém diferente, hoje a tendência é buscarem uma pessoa com afinidades.

Veja – O senhor já escreveu colunas para jornais, revistas, atuou na televisão e agora tem um programa na rádio. O senhor se considera um marqueteiro?
Gikovate – Sempre gostei de trabalhar com os meios de comunicação. Psicologia não é assunto para especialistas, mas de todo mundo. Faço essas coisas também porque é uma forma de entrar em contato com um público diferente do que eu encontro normalmente. Na rádio, respondo perguntas de gente tacanha, que jamais teriam condição de pagar uma consulta. Estão em um outro patamar financeiro. Mas o que dizem, é ouro puro. As colunas e programas de rádio que eu faço não me trazem clientes. Às vezes, só atrapalham. Em 1982, aceitei trabalhar com o Corinthians. Era a democracia corinthiana. Foi um balde de água fria na clínica. Imagine só, o Corinthians! Não foi o tipo de notícia que meus pacientes gostaram de ouvir. Eu fiquei lá dois anos. Meu pai ficava chocado com essas coisas, porque naquele tempo médico de bom nível não fazia essas coisas. Não estava nem aí. Quando eu me interesso por alguma coisa, eu vou. No mais, se eu fosse um simples marqueteiro, não teria durado 41 anos.

Veja – Apesar de todo esse tempo de clínica, o senhor atuou sozinho, longe das universidades. Por quê?
Gikovate – O mundo acadêmico está cheio de papagaios, que repetem fórmulas prontas. Citam sempre outros pensadores, mas nunca vão a lugar algum. Não têm coragem para disso. Esse universo, do qual eu acabei me afastando, é extremamente conservador. Não são eles que produzem as novas idéias. Muitos fingem que eu não existo. Diziam à pequena que eu era um cara muito pragmático, que levava em conta muito os resultados, o que é verdade. Os que mais gostam do que eu faço não são da minha área. São os filósofos, como o Renato Janine Ribeiro e a Olgária Matos. De minha parte, eu sempre fugi dos rótulos. Não me inscrevi membro da Sociedade de Psicanálise. Não sou membro de qualquer sociedade dogmática. Não sou sócio de nenhum clube. Sou uma pessoa de mente aberta. Nunca quis discípulos. Os meus discípulos, se um dia existirem, pensarão por conta própria. Se tiverem um monte de opiniões diferentes das minhas, seria ótimo.

Noruega autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo

Junho 12, 2008 by joaoejoao

OSLO, 11 Jun 2008 (AFP) – O Parlamento norueguês adotou nesta quarta-feira um projeto de lei que autoriza casamento entre pessoas do mesmo sexo, permitindo também que adotem filhos ou se beneficiem de uma ajuda caso resolvam se submeter a uma fecundação.

Os três partidos da coalizão de centro-esquerda no poder e duas formações de oposição apoiaram majoritariamente a medida. A Noruega se converte assim no sexto país do mundo a conceder o direito de casamento a casais homossexuais, equiparando-os aos heterossexuais.

A disposição mais polêmica dizia respeito à lei que concede às lésbicas o direito de solicitar uma inseminação artificial. O doador do esperma deve ser identificado para que a criança, se quiser, possa conhecer a identidade de seu pai biológico quando chegar à maioridade.

Direitos humanos e diversidade sexual

Junho 12, 2008 by joaoejoao

PAULO VANNUCHI

A Conferência Nacional de GLBT é um marco histórico.
É a primeira do gênero no mundo organizada por iniciativa governamental

HOJE, O Brasil dá um novo passo na consolidação da democracia e dos direitos humanos no país. A Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, que acontece hoje, em Brasília, é um marco histórico. Convocada por meio de decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinado no dia 28/11/07, é a primeira do gênero no mundo organizada por iniciativa governamental.
O país -que já promove em São Paulo a maior de todas as paradas do orgulho GLBT, com participação estimada de 3 milhões de pessoas em 2007 e 2008- coloca-se na vanguarda da discussão do combate ao preconceito e à discriminação sexual.
A exemplo das demais conferências promovidas pelo governo federal com movimentos da juventude, de mulheres, ambientalistas ou profissionais da saúde, o objetivo da Conferência Nacional de GLBT é estabelecer um pacto democrático para a definição de políticas públicas voltadas à população GLBT.
Por um lado, contribui com a mobilização de um setor social freqüentemente ignorado pelas autoridades. De outro, permite a participação desse setor na formulação de políticas encaminhadas pelo governo federal.
Elas estarão consolidadas no Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais.
Dessa forma, o governo do presidente Lula reafirma seu compromisso de tratar a questão dos direitos humanos como política de Estado. Se o movimento GLBT avançou muito nos últimos anos, não se pode negar que a sociedade brasileira é ainda tisnada pela violência e pelo desrespeito aos direitos humanos por motivo de orientação sexual ou identidade de gênero.
Estudos feitos pelo Grupo Gay da Bahia, com base no noticiário da imprensa, afirmam que, entre 1980 e 2006, 2.745 brasileiros da comunidade GLBT foram assassinados no país -dos quais 67% gays, 30% travestis e transexuais e 3% lésbicas. São números aquém da realidade, já que se baseiam exclusivamente no registro jornalístico. Estima-se que, a cada três dias, um cidadão GLBT seja assassinado no Brasil.
Um Estado democrático de Direito não pode aceitar práticas sociais e institucionais que criminalizem, estigmatizem ou marginalizem cidadãos por motivos de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
Observada a idade adulta e o consenso, não há fundamento legal que coíba as práticas relativas ao livre exercício da sexualidade. Qualquer restrição nesse sentido fere o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e de associação, a autonomia e a dignidade dessas pessoas e compromete seu acesso à saúde, ao trabalho, à educação, ao emprego e ao lazer.
Ainda que a Constituição de 1988 tenha consagrado os princípios da dignidade da pessoa humana, da não-discriminação e da igualdade, até hoje nenhuma lei infraconstitucional voltada para a promoção da cidadania de GLBT foi aprovada no Congresso -como a existente contra o preconceito racial, por exemplo. O projeto de lei 1.151/95, que disciplina a união civil entre pessoas do mesmo sexo, de autoria da ex-deputada federal Marta Suplicy, tramita há 13 anos na Casa.
Tal lacuna no nosso ordenamento legal abre espaço para a aplicação de normas provavelmente inconstitucionais, como o artigo 235 do Código Penal Militar, que ainda trata como crime a prática sexual entre militares.
A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República coordena, desde 2004, ainda na gestão Nilmário Miranda, o Programa Brasil Sem Homofobia, com políticas voltadas para o fortalecimento de ONGs e instituições públicas de cidadania GLBT.
Entre suas ações está a criação de 44 centros de referência em direitos humanos na prevenção e no combate à homofobia, envolvendo nove núcleos de pesquisa sobre a população GLBT em universidades federais e 28 projetos de capacitação. Os centros dão assistência psicológica, social e jurídica às vítimas de discriminação, exclusão ou violência homofóbica.
A conferência de hoje terá a participação de 600 delegados escolhidos nas conferências estaduais e municipais, ocorridas em todas as unidades da Federação, das quais participaram cerca de 10 mil pessoas. Tendo por tema “Direitos Humanos e Políticas Públicas: O Caminho para Garantir a Cidadania de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais”, vai propor as diretrizes e definir a estratégia de ação do movimento, em articulação com o poder público.
A diversidade sexual é um direito vinculado à autonomia e à liberdade de expressão, valores de nossa Constituição. Garanti-la é avançar na construção de uma sociedade mais justa, tolerante e solidária.


PAULO VANNUCHI, 58, é ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0506200808.htm