Wálter Fanganiello Maierovitch
Especial para Terra Magazine
O governo de centro-direita de Sílvio Berlusconi, na sua segunda semana de investidura, já mostra a cara e parte para as discriminações.
Membro de um partido de matriz separatista (Liga Norte), o novo ministro do Interior, Roberto Maroni, centra fogo nos imigrantes clandestinos, em especial nos romenos. Quer fazer uma faxina e colocar na cadeia ou expulsar os imigrantes que não conseguem obter permissão de residência (“permesso di soggiorno”), embora estejam há anos na Itália. E muitos explorados pelo trabalho escravo.
Por outro lado, a ministra para a Igualdade de Oportunidades, Mara Carfagna, faz juízos equivocados a respeito de homossexuais e nega apoio e participação na Gay Pride nacional, agendada para o próximo 28 de junho em Bologna.
Pela mesma razão, seu ministério vai tomar distância das paradas-gays de Roma e Milão, marcadas para 7 de junho.
Mara Carfagna, ex-deputada pelo partido de Berlusconi (Forza Itália), acha que “o único objetivo de uma Gay Pride é o de forçar o reconhecimento oficial de casais homossexuais, talvez para equipará-los aos matrimônios”.
Ela frisa estar pronta para patrocinar seminários e conferências que tratem do “contraste às formas de discriminação e de violência”. Quanto à Gay Pride, destaca, em complemento ao seu juízo canhestro e contraditório: – “Não sei para que coisa possa servir”.
Para a ministra, estão preparadas para a Itália, neste 2008, cinco paradas-gays, num momento que já existe a integração social dos homossexuais e passou o tempo em que eram considerados “doentes mentais”.
No governo anterior, do premier Romano Prodi, de centro-esquerda, a ministra para a Igualdade de Oportunidades, Bárbara Pollastrini, contribuía com as paradas e esteve presente, por exemplo, na realizada em Torino.
Num diversionismo, a ministra disse que prefere se “ocupar de mulheres que ganham 30% a menos do que, por trabalho igual, realizam os homens”.
Como se percebe, a ministra não é capaz de cuidar de vários questões relativas a sua pasta e prefere desprezar uma manifestação a criar uma cultura de igualdade entre os seres humanos e de respeito às preferências.
Só para lembrar. O ex-presidente Putin visitou o seu amigo Berlusconi na Sardenha, onde o premier possui uma “vila” cinematográfica. Putin proibiu, ano passado, a primeira parada-gay em Moscou e colocou a polícia para dispersar os homossexuais que tinham organizado a manifestação. Berlusconi, pela legislação italiana, não pode proibir, mas já colocou a sua ministra para fazer oposição.
Wálter Fanganiello Maierovitch é colunista da revista CartaCapital
e presidente do Instituto Giovanni Falcone (www.ibgf.org.br).
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